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O tamanho da nova onda da covid-19 depende de nós

Viviane de Macedo*

por Central Press
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Em 31 de dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu o alerta sobre vários casos de pneumonia na cidade de Wuhan, na China. Em 9 de janeiro de 2020, a OMS confirmou a circulação de um novo coronavírus, o SARS-COV-2 e, em 11 de março do mesmo ano, declarou pandemia de covid-19.

Já passados quase três anos, com o avanço da vacinação pelo mundo, houve a redução do número de casos e mortes, o que nos deu a sensação de que o vírus, apesar de ainda estar circulando, estaria sob controle. Tiramos as máscaras, voltamos a nos abraçar, a nos reunir em eventos, shows, festas familiares, happy hour, como que declarando: “A pandemia acabou!”. Apesar disso, o status de pandemia ainda não foi alterado pela OMS, que até pouco tempo atrás estudava decretar o seu fim.

Porém, nas últimas semanas, temos visto um aumento progressivo de casos no mundo, provavelmente impulsionado pelas novas linhagens da Variante de Preocupação  Ômicron, BQ.1 e BA.5.3.1. No Brasil, entre 6 e 11 de novembro de 2022, foram notificados 57.825 casos e 314 mortes por covid-19, resultando em uma média móvel de 8.448 casos diários, o que representa aumento de 120% em relação à semana anterior (3.834). Em média, morreram 46  pessoas nos últimos sete dias, ou seja, houve um crescimento de 28% em comparação à semana anterior.

Diante desses dados, será que corremos o risco de vivenciar uma nova onda da covid-19? É possível que sim, mas provavelmente não nas mesmas proporções que em março e abril de 2021, um dos momentos mais críticos dessa doença no Brasil. Assim, quais seriam os possíveis fatores que nos levariam a uma nova onda?

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Baixa adesão às doses de reforço da vacinação para covid-19: Apesar da alta adesão ao esquema vacinal com 2 doses ou dose única pelos brasileiros, não alcançamos ainda nem 60% do esquema da dose de reforço para os grupos elegíveis. O que significa que muitas pessoas já têm mais de 1 ano e meio da 1.ª dose de vacina. O que vemos nos estudos é que o número de anticorpos criados para combater o SARS-COV2, costuma se reduzir gradativamente, com diminuição importante após 5-8 semanas da vacina, principalmente diante da Ômicron. Isso significa que os grupos de risco podem evoluir com pior desfecho, tendo a necessidade de hospitalização, e maior chance de morte.

Afrouxamento das medidas sanitárias. Em quase todo o Brasil, houve uma redução significativa do uso de máscara (que ficou praticamente restrito ao ambiente hospitalar) e do distanciamento entre as pessoas, que são as medidas farmacológicas de maior impacto para a prevenção da covid-19. Esses fatores favorecem a circulação do SARS-COV2 entre as pessoas, sendo um incremento para transformações nesse vírus e o surgimento de novas linhagens ou sublinhagens como a BQ1, que têm maior potencial de infectividade, ou seja, se espalham com mais facilidade, mas não necessariamente de letalidade para a população como um todo. Para as pessoas com comorbidades e idosas, o desfecho acaba sendo incerto.

Poucas opções de medicamentos disponíveis para a prevenção e tratamento da covid-19. A Sociedade Brasileira de Infectologia emitiu em 11 de novembro uma nota técnica alertando sobre isso: “…é essencial que medicações já aprovadas pela ANVISA para o tratamento e prevenção da covid-19 estejam disponíveis para uso no setor público e privado…”, principalmente para os idosos acima de 70 anos e imunossuprimidos.

Diante desse quadro, fica claro que precisamos encarar que a pandemia não acabou, que o vírus ainda circula entre nós e que pode trazer impacto na saúde pública e mais ainda, pode provocar danos irreversíveis na vida de uma pessoa, que pode ficar com sequelas, ou pode trazer impactos para a vida de uma família, que pode ficar sem um ente querido para sempre. 

O nosso papel como cidadão é agir com sensatez em relação a nossa vida e das demais. Assim, é preciso completar o esquema de vacinação, usar máscara sempre que estiver em um ambiente com aglomeração e quando estiver com sintomas gripais ou respiratórios e, cobrar das autoridades a disponibilização de medicamentos e de novas vacinas para a população como um todo. Isso tudo é necessário para que possamos continuar vivendo em sociedade, “porque não é bom que o homem viva só”.

*Viviane de Macedo, infectologista, doutora em Ciências e professora de Doenças Infecciosas e Parasitárias do curso de Medicina da Universidade Positivo (UP).

 

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